30.1.06
27.1.06
Blimps Maravilhosos
O processo de construção dos blimps autônomos criados pelos alunos do Art Center (onde Bruce Sterling lecionou durante um ano)...

...foi extensamente documentado. Man, those things rock. Kudos, Jed and Nikhil, disse o mestre da FC texana.

Tão ou mais legal que os balões é a linha de montagem.
...foi extensamente documentado. Man, those things rock. Kudos, Jed and Nikhil, disse o mestre da FC texana.
Tão ou mais legal que os balões é a linha de montagem.
24.1.06
Hoax Nordestino
Gostaram do hoax de Souzousareta Geijutsuka, ou melhor, Yuri Firmeza? Nada de novo no front. Carlos, ou melhor, José Alvarez, já fez mais bem feitinho...

Ouça lá a história dele no Studio 360, co-produção da Public Radio International e WNYC New York Public Radio.
Ouça lá a história dele no Studio 360, co-produção da Public Radio International e WNYC New York Public Radio.
18.1.06
Criptozoologia Artificial
Louis Bec é um zoosystémicien (modelador digital de sistemas vivos). Ele e o grupo CYPRES criaram o projeto ARAPUCA, um ambiente virtual que funciona como um "celeiro" de organismos artificiais.

Os seres artificiais de Bec podem ser vistos dentro de uma espécie de cave, a SAS Cube. O ambiente de A-Life, por sua vez, foi construído com os engines QP (Qualitative Physics) e Unreal Tournament. A principal criatura gestada neste ambiente foi chamada de Diaphaplenomena.
Os seres artificiais de Bec podem ser vistos dentro de uma espécie de cave, a SAS Cube. O ambiente de A-Life, por sua vez, foi construído com os engines QP (Qualitative Physics) e Unreal Tournament. A principal criatura gestada neste ambiente foi chamada de Diaphaplenomena.
17.1.06
Alexandria Virtual
Há muito se fala no registro de obras pertencentes a um campo vago e ainda impreciso: arte tecnológica (mídia arte, arte virtual, arte eletrônica, arte digital, arte computacional, arte telemática, arte genética e tantas outras sub-categorias que implicam em certa imersão e interatividade).

Para cobrir um pouco a escassa seara deste campo, Oliver Grau, um escolástico alemão especializado em história da arte virtual, está lançando o Database of Virtual Art, um banco de dados que está documentando obras referenciais do campo mencionado. Já na capa, o argonauta (Ulisses é um herói cibernético por excelência) encontra obras seminais, como "Osmose", de Char Davies (ver imagem acima), e "World Skin”, de Maurice Benayoun. Além das obras, há registros de eventos, notícias e vídeos. Literalmente, um saucerful of secrets. Altamente recomendado pelo Itaulab.
Para cobrir um pouco a escassa seara deste campo, Oliver Grau, um escolástico alemão especializado em história da arte virtual, está lançando o Database of Virtual Art, um banco de dados que está documentando obras referenciais do campo mencionado. Já na capa, o argonauta (Ulisses é um herói cibernético por excelência) encontra obras seminais, como "Osmose", de Char Davies (ver imagem acima), e "World Skin”, de Maurice Benayoun. Além das obras, há registros de eventos, notícias e vídeos. Literalmente, um saucerful of secrets. Altamente recomendado pelo Itaulab.
6.12.05
Dzat Ferrari
Puro fetiche de velocidade é "C'etait un rendezvous", curta de Claude Lelouch realizado em 1976. De Porte Dauphine a Sacre-Coeur em menos de 8 minutos numa Ferrari 275/GTB.

Reação da misteriosa Netochka Nezvanova na lista Syndicate (ela é fascinada por Ferraris):
Reação da misteriosa Netochka Nezvanova na lista Syndicate (ela é fascinada por Ferraris):
dzat ferrari = sndz !!!!!!!nssssssssSSSSZZZZZZZZZaaaaaaaane.
12 c!l!ndrz pulzat!ng zkream!ng !!!!!! UAAAAAAAAAAAANNNNNNNNNNNNT
uak!ng up all dze ne!ghborz. all d!v!ne !ntervenz!onz. all real!t!ez.
god. dev!l. hell. heaven. pzpzpzpzpz. vroom vroom. dounsh!ft +
tttttttttzzzzzzzzzzzzzzzzzz l!ghtzpeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeed
23lb6pr93x6b8r6868686rt86rt !!!!!!!!! m 9 n d f u k c !!!!!!!
5.12.05
Nomadismos Cíbridos
De 7 a 9 de dezembro, o Centro Universitário Senac promove o "4º Simpósio Cibercultura: Nomadismos Cíbridos". O evento, gratuito, organizado por Lucia Leão, conta com uma série de palestras que têm por objetivo promover o debate e o intercâmbio de pesquisadores e especialistas na área, sobre aspectos das mobilidades vivenciadas a partir de aparatos como telefones celulares, notebooks, PDAs e GPSs. Através desses equipamentos, as redes digitais se projetam e se difundem em paisagens complexas.

Estão confirmados no simpósio nomes como: Lucia Santaella, Giselle Beiguelman, Lucia Leão, Alexandre Braga, Priscila Arantes, Martha C C Gabriel, Lucio Agra, Otavio Donasci, Jorge Luís Antonio, Júlio Freitas, Maria Lucia Bueno, Ernesto Boccara, Anamelia B Buoro, Eduardo Braga, Gilbertto Prado, Caio Vassão, Roger Tavares, Romero Tori, Guilherme Kujawski, Fabio Fernandes, Sergio Basbaum, Diana Domingues, Equipe SciArts, Suzete Venturelli, André Lemos, Silvia Laurentiz, Mônica Tavares, Luís Carlos Petry, Marcus Bastos, Dalton Martins, Elaine Caramella, Mário Maciel, Paulo Barreto, Pollyana Ferrari, Hermes Renato Hildebrand e Rosangella Leote. A abertura será feita por Lucia Leão.

Estão confirmados no simpósio nomes como: Lucia Santaella, Giselle Beiguelman, Lucia Leão, Alexandre Braga, Priscila Arantes, Martha C C Gabriel, Lucio Agra, Otavio Donasci, Jorge Luís Antonio, Júlio Freitas, Maria Lucia Bueno, Ernesto Boccara, Anamelia B Buoro, Eduardo Braga, Gilbertto Prado, Caio Vassão, Roger Tavares, Romero Tori, Guilherme Kujawski, Fabio Fernandes, Sergio Basbaum, Diana Domingues, Equipe SciArts, Suzete Venturelli, André Lemos, Silvia Laurentiz, Mônica Tavares, Luís Carlos Petry, Marcus Bastos, Dalton Martins, Elaine Caramella, Mário Maciel, Paulo Barreto, Pollyana Ferrari, Hermes Renato Hildebrand e Rosangella Leote. A abertura será feita por Lucia Leão.
29.11.05
Fetiche dos Balcãs
\\ my newest classic auto.mobile - the very 1st saab
ultra stylish + dekapotabila + accomodates 1+1 \ some det ska vara.
Palavras da inefável Netochka Nezvanova, ao descrever sua última aquisição automobilísitica Fonte: Syndicate (a melhor criatura de Lovink).

ultra stylish + dekapotabila + accomodates 1+1 \ some det ska vara.
Palavras da inefável Netochka Nezvanova, ao descrever sua última aquisição automobilísitica Fonte: Syndicate (a melhor criatura de Lovink).
Reality Futurama
Essa peça é da exposição "Ted Williams Memorial Display with Death Mask from The Ben Affleck 2004 World Series Collection", na First Street Gallery, em Nova York.

É a máscara mortuária de Ted Williams (famoso jogador de baseball norte-americano), feita a partir da cabeça crionizada do jogador, que está sob os auspícios da misteriosa Alcor. A exposição suscitou o simpósio sobre relativismo (organizado pelo filósofo Elvio Baccarini) que será realizado na Croácia.
É a máscara mortuária de Ted Williams (famoso jogador de baseball norte-americano), feita a partir da cabeça crionizada do jogador, que está sob os auspícios da misteriosa Alcor. A exposição suscitou o simpósio sobre relativismo (organizado pelo filósofo Elvio Baccarini) que será realizado na Croácia.
25.11.05
Profecia
Conrad Knickerbocker - Em vista de tudo isso, o que acontecerá com a ficção nos próximos vinte e cinco anos?
William Burroughs - Em primeiro lugar, penso que vai haver mais e mais fusão entre arte e ciência.

Entrevista realizada em 1965 (fonte: "OS ESCRITORES: as históricas entrevistas da Paris Review". Companhia das Letras, 1988)
William Burroughs - Em primeiro lugar, penso que vai haver mais e mais fusão entre arte e ciência.
Entrevista realizada em 1965 (fonte: "OS ESCRITORES: as históricas entrevistas da Paris Review". Companhia das Letras, 1988)
4.11.05
Estética, Ética e Eigenbehavior
O livro "Arte e Mídia - Perspectivas da Estética Digital, de Priscila Arantes, ficou pronto! E ficou bastante bonito. O lançamento vai ser dia 17, quinta-feira, às 19 horas, na Livraria Cultura, que fica na avenida Paulista, 2.073. A artista e ensaísta Giselle Beiguelman lançou, no dia 3, o seu novo livro, “Link-se - arte/mídia/política/cibercultura/mobilidade", como parte dos eventos ligados ao FILE (que a cada ano fica melhor). A cena "cyber-melody" paulista se estabelece com força total.

Mas nem tudo são rosas no mundo da tecnologia... O mais novo arauto da tecnotirania (para usar uma expressão da própria Giselle) é nada mais nada menos que a Sony, que está instalando indevidamente rootkits nas máquinas de quem ouve um CD comprado LEGALMENTE. O programa de DRM (Digital Rights Management, um novo sistema digital de controle de direitos autorais) é instalado e fica INVISÍVEL aos olhos do Windows. Mas, para os olhos atentos, os padrões do mal podem ser desvendados...
(parafraseando Chico Buarque: chame o hacker!! chame o hacker!!)

Talvez seja mais prudente desligar o computador e apreciar a reprodução de "Plan d'évasion", de Pierre Alechinsky (dica de André Vallias).


Mas nem tudo são rosas no mundo da tecnologia... O mais novo arauto da tecnotirania (para usar uma expressão da própria Giselle) é nada mais nada menos que a Sony, que está instalando indevidamente rootkits nas máquinas de quem ouve um CD comprado LEGALMENTE. O programa de DRM (Digital Rights Management, um novo sistema digital de controle de direitos autorais) é instalado e fica INVISÍVEL aos olhos do Windows. Mas, para os olhos atentos, os padrões do mal podem ser desvendados...
(parafraseando Chico Buarque: chame o hacker!! chame o hacker!!)
Talvez seja mais prudente desligar o computador e apreciar a reprodução de "Plan d'évasion", de Pierre Alechinsky (dica de André Vallias).
25.10.05
Impressões de Belém de Pará
Belém do Pará, 20 de outubro de 2005
Uma cidade plana, fortificada, cercada pelos odores e cores do mercado Ver-o-Peso, protegido pelo forte que foi cenário da Cabanada, revolta dos oprimidos contra a Regência. Ato contínuo, IAP, bastião da cultura paraense. Os projetos são simples, mas extremamente bem executados. A parceria com o a Guiana francesa rendeu o excelente "Fios da Meada", contos amazônicos recontados por Paulo Nunes, e "Mots Tissés", contos de Guiana. O catálogo de produtos é notável: "Tipos e Mitos da Modernidade", de Octavio Ianni, e "Ritmos Amazônicos", de Tynnôko Costa. Co-produção do filme de animação "A Revolta das Mangueiras", junto com o pessoal do Anima Mundi. Na parte da tarde, rádio e preparação para a palestra de André Vallias. No rádio, DJ Dinho, o Tupinambá Treme-Terra, reverbera o cenário tecnobrega local, que se desenvolve em circuitos totalmente "off"-ICMS, "off"-notas fiscais e "off"-carteira assinada (Hermano Vianna). Festa de aparelhagem no Outeiro da Lapinha. Começa a palestra de Vallias, o poeta visual, ou melhor, verbovocovisual. Público pequeno, mas absolutamente atento. Vallias detém-se com mais cuidado em "ORATORIO", poema singular e plural que "labora, no convívio de códigos, os contrastes e confrontos da Cidade Maravilhosa, da holovisão arrebatadora no cocuruto do Corcovado à depressiva miséria das “margens” do Rio, do Morro do Céu ao rés-do-chão da Rocinha" (Roland Campos).

Belém do Pará, 21 de outubro de 2005
Uma caminhada até o Mangal das Garças. Na volta, incursão na igreja de São Alexandre, onde ouvimos com grata surpresa a guia discorrer num português mais refinado que o falado no Jornal Nacional sobre como as estátuas sacras esculpidas pelos índios remontam a uma fenotipia ameríndia; sobre o fato de São Sebastião não ter morrido flechado, mas sim com as infecções da Cloaca Maxima. Na última noite, um papo na Doca, com muito tacacá e suco de bacuri.
Uma cidade plana, fortificada, cercada pelos odores e cores do mercado Ver-o-Peso, protegido pelo forte que foi cenário da Cabanada, revolta dos oprimidos contra a Regência. Ato contínuo, IAP, bastião da cultura paraense. Os projetos são simples, mas extremamente bem executados. A parceria com o a Guiana francesa rendeu o excelente "Fios da Meada", contos amazônicos recontados por Paulo Nunes, e "Mots Tissés", contos de Guiana. O catálogo de produtos é notável: "Tipos e Mitos da Modernidade", de Octavio Ianni, e "Ritmos Amazônicos", de Tynnôko Costa. Co-produção do filme de animação "A Revolta das Mangueiras", junto com o pessoal do Anima Mundi. Na parte da tarde, rádio e preparação para a palestra de André Vallias. No rádio, DJ Dinho, o Tupinambá Treme-Terra, reverbera o cenário tecnobrega local, que se desenvolve em circuitos totalmente "off"-ICMS, "off"-notas fiscais e "off"-carteira assinada (Hermano Vianna). Festa de aparelhagem no Outeiro da Lapinha. Começa a palestra de Vallias, o poeta visual, ou melhor, verbovocovisual. Público pequeno, mas absolutamente atento. Vallias detém-se com mais cuidado em "ORATORIO", poema singular e plural que "labora, no convívio de códigos, os contrastes e confrontos da Cidade Maravilhosa, da holovisão arrebatadora no cocuruto do Corcovado à depressiva miséria das “margens” do Rio, do Morro do Céu ao rés-do-chão da Rocinha" (Roland Campos).
Belém do Pará, 21 de outubro de 2005
Uma caminhada até o Mangal das Garças. Na volta, incursão na igreja de São Alexandre, onde ouvimos com grata surpresa a guia discorrer num português mais refinado que o falado no Jornal Nacional sobre como as estátuas sacras esculpidas pelos índios remontam a uma fenotipia ameríndia; sobre o fato de São Sebastião não ter morrido flechado, mas sim com as infecções da Cloaca Maxima. Na última noite, um papo na Doca, com muito tacacá e suco de bacuri.
29.9.05
Refresh!
Transmitido em vídeo-conferência no Itaú Cultural, o Refresh!, primeiro simpósio internacional sobre a história das artes midiáticas, ocorre entre os dias 28 de setembro e 1 de outubro em Banff, Canadá. O keynote foi de Edmond Couchot, teórico francês da Paris 8 e estudioso das relações entre as artes e sistemas de visualização de informações. Sarah Cook descreve o primeiro dia. A first brief (and certainly incomplete) report from the Refresh conference. It's rainy and cloudy here in Banff, but when the clouds do lift there is fresh snow on the mountain peaks...

...Yesterday's agenda was very dense and tightly woven. I'm hoping for a little more unravelling today (and judging by the fact that Jon Ippolito has just played us a video of a Monty Python skit, I think we're in luck). Thursday afternoon's panel on Methodologies, chaired by Mark Hansen and Erkki Huhtamo seems to have been provocative and 'difficult' (in a good way) for the attendees. Mark talked about how new media is a break with art history in three important ways, in that it suggests:
1) the dissolution of the autonomy of the art object;
2) the shift from object-centered aesthethics to body-based reception aesthetics;
3) a break with the philosophical vocation of art - 'to give sensible presentation of the idea' (Hegel);
In regards the first point Mark critiqued the work of Rosalind Krauss and her writing of art history, namely her emphasis on a post-medium aesthetic. He argued that her answer to the challenges that new media art present to art history is to differentiate physicality from conventionality. He pointed out that Krauss focuses on artists who reinvent mediums in their practice (keeping in mind that mediums can be reinvented only when they have already become obsolete). I'm paraphrasing (and you can read his talk abstract here), but Mark argued that if you follow Krauss then so long as the work is new, the space separating its physicality from its status as a set of conventions remains invisible or inscrutable (naturalised). The implication of her approach being that what we call new media will become obsolete and then artists will come in and make work with it, which will then be called art. (Here, for the Art Formerly Known As New Media!) Mark rightly pointed out (and unfortunately due to the impending end of lunch there wasn't time for further discussion - which given the other panelists presentations is one of the reasons the afternoon was so dense/difficult), that the problems with this is that it prevents an art history of the present. Instead of following Krauss' lead Mark presented alternative examples of works of art where the embodied response of the viewer is disrupted or disjuncted (not a word I know, but you know what I mean), such as Douglas Gordon's 24-hour Psycho, arguing that that the differentiation between physicality and conventionality in many works of new media is less significant than the fact that the viewer's response is creative source of work's content (and not a condition of the work's medium). I found myself wondering (yet again) if it was indeed curators who were, through their practical work and not necessarily their theoretical work, the art historians of the present.
...Yesterday's agenda was very dense and tightly woven. I'm hoping for a little more unravelling today (and judging by the fact that Jon Ippolito has just played us a video of a Monty Python skit, I think we're in luck). Thursday afternoon's panel on Methodologies, chaired by Mark Hansen and Erkki Huhtamo seems to have been provocative and 'difficult' (in a good way) for the attendees. Mark talked about how new media is a break with art history in three important ways, in that it suggests:
1) the dissolution of the autonomy of the art object;
2) the shift from object-centered aesthethics to body-based reception aesthetics;
3) a break with the philosophical vocation of art - 'to give sensible presentation of the idea' (Hegel);
In regards the first point Mark critiqued the work of Rosalind Krauss and her writing of art history, namely her emphasis on a post-medium aesthetic. He argued that her answer to the challenges that new media art present to art history is to differentiate physicality from conventionality. He pointed out that Krauss focuses on artists who reinvent mediums in their practice (keeping in mind that mediums can be reinvented only when they have already become obsolete). I'm paraphrasing (and you can read his talk abstract here), but Mark argued that if you follow Krauss then so long as the work is new, the space separating its physicality from its status as a set of conventions remains invisible or inscrutable (naturalised). The implication of her approach being that what we call new media will become obsolete and then artists will come in and make work with it, which will then be called art. (Here, for the Art Formerly Known As New Media!) Mark rightly pointed out (and unfortunately due to the impending end of lunch there wasn't time for further discussion - which given the other panelists presentations is one of the reasons the afternoon was so dense/difficult), that the problems with this is that it prevents an art history of the present. Instead of following Krauss' lead Mark presented alternative examples of works of art where the embodied response of the viewer is disrupted or disjuncted (not a word I know, but you know what I mean), such as Douglas Gordon's 24-hour Psycho, arguing that that the differentiation between physicality and conventionality in many works of new media is less significant than the fact that the viewer's response is creative source of work's content (and not a condition of the work's medium). I found myself wondering (yet again) if it was indeed curators who were, through their practical work and not necessarily their theoretical work, the art historians of the present.
13.9.05
Haptic France
Daniela Kutschat e Rejane Cantoni vão mostrar a obra...

...no TRANSMISSIONS, parte do evento ICHIM 05, na França. Blast Theory, Joshua Kinberg (Bikes Against Bush) e Prof. Sekiguchi (Geo-Media Art Content Project) também estarão por lá.

...no TRANSMISSIONS, parte do evento ICHIM 05, na França. Blast Theory, Joshua Kinberg (Bikes Against Bush) e Prof. Sekiguchi (Geo-Media Art Content Project) também estarão por lá.
5.9.05
Olho Cinético
O Museu de Arte Moderna e Contemporânea de Estrasburgo está abrigando, até o dia 25 de setembro, a exposição "The Kinetic Eye – Optical and Kinetic Art, 1950-1975". Uma estrutura não cronológica e não monográfica – somada a uma coerência que junta estímulos visuais, ambientes sensórios e trabalhos cinéticos – pautou a curadoria. Isso permitiu a inclusão, no mesmo espaço, de artistas como Vasarely (ver abaixo a imagem da obra "Andromede") e Julio Le Parc.

A exposição está dividida em quatro "aspectos" (e não "módulos" ou "eixos"): "O Olho Cinético" (há três temas sucessivos: dinâmica da retina, aceleração óptica e hipnose visual); "O Olho Físico" (também com três temas: relevos transformáveis, confusão óptica e instabilidade física); "O Olho Neural" (uma seção que explora os temas dos modelos cibernéticos e da teoria da informação); e "O Olho Acústico" (uma apresentação de trabalhos sinestésicos e móbiles). Uma exposição de arte cinética com um outro ponto de vista.
A exposição está dividida em quatro "aspectos" (e não "módulos" ou "eixos"): "O Olho Cinético" (há três temas sucessivos: dinâmica da retina, aceleração óptica e hipnose visual); "O Olho Físico" (também com três temas: relevos transformáveis, confusão óptica e instabilidade física); "O Olho Neural" (uma seção que explora os temas dos modelos cibernéticos e da teoria da informação); e "O Olho Acústico" (uma apresentação de trabalhos sinestésicos e móbiles). Uma exposição de arte cinética com um outro ponto de vista.
18.8.05
Nova Hiperrevista
net art @ fapesp é um novo portal de cibercultura capitaneado, aparentemente, por Gisele Beiguelman. Segundo ela mesma, o portal é um compêndio de + Calls + Softcultura + art? art! art... + cyberpunk + Links + hacktivismo + News + copyfight + um montão de coisas.

No mesmo linguajar telegráfico, ela anuncia alguns highlights:
XGood: Retrotype discute a imagem da mulher nos games
Midiateca: Deleuze, Orson Welles, Paik, Waldemar Cordeiro estão lá
Evento: Geert Lovink, co-fundador da Net-time e Next 5 Minutes Festival, participa de debate na PUC
Livros: Words Made Flesh, How Open is the Future, Wide Open e outros lançamentos para copiar sem culpa.
what's new, pussycat?: Google.Print, Bernes-Lee fala de Blogs, A TV quer pular para fora da tela...
No mesmo linguajar telegráfico, ela anuncia alguns highlights:
XGood: Retrotype discute a imagem da mulher nos games
Midiateca: Deleuze, Orson Welles, Paik, Waldemar Cordeiro estão lá
Evento: Geert Lovink, co-fundador da Net-time e Next 5 Minutes Festival, participa de debate na PUC
Livros: Words Made Flesh, How Open is the Future, Wide Open e outros lançamentos para copiar sem culpa.
what's new, pussycat?: Google.Print, Bernes-Lee fala de Blogs, A TV quer pular para fora da tela...
10.8.05
Padrões aos Pedaços
O Paço das Artes realizou, de 7 a 10 de agosto, seu primeiro simpósio internacional. Padrões aos Pedaços – O Pensamento Contemporâneo na Arte propôs-se a discutir a possibilidade de uma ruptura no atual cenário artístico. Há ou não paradigmas para serem quebrados? Há novas propostas?
Questão fundamental no que diz respeito à arte contemporânea, os meios digitais pautaram grande parte dos debates. Giselle Beiguelman, doutora em história da cultura, participou da mesa-redonda Mercado e Novos Meios Hoje: Falso, Pirata ou Apropriado?, no dia 9. A historiadora trabalha com mídias digitais e on-line e diz que a expressão pirataria não se aplica a certas práticas recorrentes nos meios digitais. “É um termo ideológico, do mercado, que remete muitas vezes à idéia de roubo, o que não ocorre, por exemplo, com o compartilhamento de arquivos ou com o Linux.”
Do ponto de vista benjaminiano, Beiguelman disse que, no caso da reprodução digital, não há perda de aura. “Os arquivos digitais são clonáveis”. O arquivo copiado é idêntico à matriz, “são ambos originais, ou ambos cópias”.
Da mesma mesa participou o músico Livio Tragtenberg. Ele apontou um paradoxo na indústria fonográfica digital: muito embora o advento do CD tenha possibilitado o começo de um “admirável mundo novo”, com som límpido, sem ruídos, é possível encontrar, atualmente, projetos que buscam um retorno ao analógico. “Há casos em que ruídos são adicionados ao som do CD”, afirma Tragtenberg, que não gosta de ser chamado de artista. “Prefiro o termo artesão”.
Questão fundamental no que diz respeito à arte contemporânea, os meios digitais pautaram grande parte dos debates. Giselle Beiguelman, doutora em história da cultura, participou da mesa-redonda Mercado e Novos Meios Hoje: Falso, Pirata ou Apropriado?, no dia 9. A historiadora trabalha com mídias digitais e on-line e diz que a expressão pirataria não se aplica a certas práticas recorrentes nos meios digitais. “É um termo ideológico, do mercado, que remete muitas vezes à idéia de roubo, o que não ocorre, por exemplo, com o compartilhamento de arquivos ou com o Linux.”
Do ponto de vista benjaminiano, Beiguelman disse que, no caso da reprodução digital, não há perda de aura. “Os arquivos digitais são clonáveis”. O arquivo copiado é idêntico à matriz, “são ambos originais, ou ambos cópias”.
Da mesma mesa participou o músico Livio Tragtenberg. Ele apontou um paradoxo na indústria fonográfica digital: muito embora o advento do CD tenha possibilitado o começo de um “admirável mundo novo”, com som límpido, sem ruídos, é possível encontrar, atualmente, projetos que buscam um retorno ao analógico. “Há casos em que ruídos são adicionados ao som do CD”, afirma Tragtenberg, que não gosta de ser chamado de artista. “Prefiro o termo artesão”.
8.8.05
Sentidos e Processos
Anotem em suas agendas: o seminário "Sentidos e Processos" começa amanhã, às 20:00, na sala azul do Itaú Cultural, em São Paulo. Imperdível o palestra inicial de Bill Seaman, um artista americano que atua na fronteira entre a poesia, música e videoarte. Seu texto "OULIPO | VS | Recombinant Poetics" é seminal, pois recupera o projeto Ouvroir de Litterature Potentielle e o coloca frente a frente com a cultura da remixagem, outro tema que será abordado no seminário no dia 10. O projeto OULIPO, estabelecido por um grupo de escritores em 1965, pretendia aplicar a matemática na literatura, gerando um tipo de poesia calistênica ao exercitar uma verdadeira "ginástica textual". Queneau, por exemplo, escreveu um enorme lipograma, isto é, um livro composto inteiramente por palavras sem a letra "e". O texto, elaborado sob essa absurda constrição, exaltava a chamada Bela Ausente (Le Belle Absente), ou a falta propositada de um elemento ortográfico crucial ao longo de um texto. Seaman parte dessa premissa ao criar instalações que produzem resultados emergentes por meio de regras explícitas, estipuladas por constrições de todos os tipos (Aliette Guibert escreveu que a experiência de carregar o site Kunstradio num Windows 95 é semelhante a escrever um lipograma oulipiano).

No dia 10, as curadoras da exposição "Cinético_Digital" vão discursar sobre a exposição com o objetivo de apagar um mal entendido que saiu na Folha no dia 16 de julho. Segundo a crítica publicada, a incorporação dos objetos cinéticos de Palatnik dentro da categoria "instalações" era por demais forçada. João Domingues, do Canal Contemporâneo, publicou um texto das curadoras bastante esclarecedor, no qual há o seguinte trecho: No módulo instalações, são os trabalhos de Abraham Palatnik (1928) que iniciam o percurso do visitante. O princípio orientador do módulo diz respeito às propostas de mediação entre obra e receptor, pensadas desde a arte cinética. Quando começou sua pesquisa cinética no contexto da arte, Palatnik estava experimentando novos caminhos sobre as relações sensoriais e perceptivas entre obra e espectador. Devido a esse fato, suas idéias passaram a ser referências fundamentais na criação da arte interativa. Nos cinéticos de Palatnik, o movimento real da própria obra, construído por meio de artefatos industriais-mecânicos, é utilizado como princípio poético. Este é perseguido na intenção de provocar diferentes modos de organização da sensibilidade, os quais visam capturar o receptor por meio da renovação de práticas receptivas. Nada como uma cor-luz no final do túnel...
No dia 10, as curadoras da exposição "Cinético_Digital" vão discursar sobre a exposição com o objetivo de apagar um mal entendido que saiu na Folha no dia 16 de julho. Segundo a crítica publicada, a incorporação dos objetos cinéticos de Palatnik dentro da categoria "instalações" era por demais forçada. João Domingues, do Canal Contemporâneo, publicou um texto das curadoras bastante esclarecedor, no qual há o seguinte trecho: No módulo instalações, são os trabalhos de Abraham Palatnik (1928) que iniciam o percurso do visitante. O princípio orientador do módulo diz respeito às propostas de mediação entre obra e receptor, pensadas desde a arte cinética. Quando começou sua pesquisa cinética no contexto da arte, Palatnik estava experimentando novos caminhos sobre as relações sensoriais e perceptivas entre obra e espectador. Devido a esse fato, suas idéias passaram a ser referências fundamentais na criação da arte interativa. Nos cinéticos de Palatnik, o movimento real da própria obra, construído por meio de artefatos industriais-mecânicos, é utilizado como princípio poético. Este é perseguido na intenção de provocar diferentes modos de organização da sensibilidade, os quais visam capturar o receptor por meio da renovação de práticas receptivas. Nada como uma cor-luz no final do túnel...
25.7.05
Boom art
Em tempos de SIMNUKE, um pouco de arte bombástica...

After Hiroshima: Nuclear Imaginaries Exhibition é uma exposição sobre o imaginário criado pela mais famosa bomba atômica. Absolutearts.com tem uma reportagem boa a respeito.
After Hiroshima: Nuclear Imaginaries Exhibition é uma exposição sobre o imaginário criado pela mais famosa bomba atômica. Absolutearts.com tem uma reportagem boa a respeito.
18.7.05
Onde Estão os Cronópios da Arte Tecnológica?
A curadoria de exposições de arte tecnológica não é tarefa trivial. Por ser uma forma nascente, as "obras de arte" que se encaixam nessa "categoria" tendem a trafegar numa espécie de terra média das artes, completamente envolta em névoa programática. Público e crítica se sentem, claro, esteticamente vilipendiados e, não raras as vezes, vítimas de um escárnio cósmico dos deuses maquínicos. É o preço que se paga pela evolução (ou devolução?) da história da arte, não afeita a concessões de maneira geral, principalmente depois do advento das "vanguardas". Mas não deixa de causar espécie que, em pleno século 21, a chamada "arte tecnológica" (ou arte em novas mídias, aqui os termos são dúbios) continua causando... Espécie! Mas isso é esperado e mesmo saudável, levando em conta o fator surpresa causado por tudo que é novo. Por outro lado, a crítica está desempenhando seu papel ao detectar ranços de tecnofetichismo na área, como bem o fez Luiz Camillo Osorio em recente crítica a exposição "Corpos Virtuais" (Centro Cultural Telemar), publicada pelo jornal O Globo. No texto, Osorio alerta que "as novas materialidades eletrônicas devem produzir novos espaços e tipos de exposição, senão o fascínio estéril toma conta". O alerta anti-tecnofílico é propositado.
O crítico de arte Fabio Cypriano, do jornal Folha de São Paulo, compartilha das mesmas aflições. Em matéria publicada no último dia 16, referente à exposição Cinético_Digital, ele deixou claro que há na produção recente de arte tecnológica um "certo deslumbre com a tecnologia que, em certos trabalhos, fica mesmo empobrecida perto do desenvolvimento atual dessa tecnologia no cinema, nos videogames ou no próprio cotidiano". O jornalista sugere que ao invés do fascínio tecnológico, os artistas contemporâneos deveriam seguir a senda iniciada pelos pioneiros, que problematizavam a tecnologia. Neste sentido, poderíamos dizer que o Partito Politica Futurista fazia uma crítica sistemática da velocidade automobilística? Como lembrou o escritor austríaco Robert Musil, os futuristas "exigiam o acelerismo, o aumento máximo da velocidade das experiências de vida através da biomecânica esportiva e da precisão acrobática". A crítica de Cypriano seria válida se as etapas de evolução artística estivessem inseridas num "continuum" conceitual e programático, mas esse não é o caso. Outra pergunta é: qual seria a dose certa da "problematização"? Algo entre o luditismo puro e o uso subversivo dos aparelhos? Ou algo entre um neofuturismo tecnofílico e um retro-vanguardismo tecnofóbico? A calibração proposta é complexa, mesmo sendo realizada em conjunto por artistas, público, curadoria e críticos navegando na mesma navilouca, o que, em se tratando de arte tecnológica, não é um trocadilho. De certa forma, a crítica de arte tecnológica pode acabar beneficiando as curadorias num movimento de "feedback loop", termo que explica como o fonógrafo influenciou, no início do século passado, a performance dos músicos de câmera, que passaram a corrigir seus maneirismos ao escutarem a gravação de suas apresentações, da mesma forma que os jogadores de futebol aperfeiçoam suas técnicas ao verem o replay de seus lances.

A questão curatorial é um elemento importante de todo o imbróglio. No Brasil (e, numa certa extensão, no mundo) a experiência curatorial no campo da arte tecnológica ainda é rarefeita. Mesmo no exterior, as preocupações continuam a todo o vapor. Um exemplo notório é o simpósio "Curating, Immateriality, Systems: On Curating Digital Media", recentemente realizado no Tate Modern, evento onde se discutiu, entre outras coisas, as várias maneiras de selecionar obras de net art, peças de arte em constante mutação que são produzidas de forma distribuída, como ilustra bem o modelo de Paul Baran. Qual seria a maneira correta de conciliar o espaço público dos museus que abrigam essa forma de arte com o ciberespaço público das redes? Luiz Camillo Osorio, na mesma matéria do jornal O Globo, responde que hospedar exposições na rede é "dar-lhes desdobramentos novos e imprevisíveis". Outra questão importante é: como as obras coletivas inseridas na rede podem ser arquivadas, já que essa é uma das atribuições principais de museus e instituições? Uma solução interessante foi apresentada no Tate Modern por Joasia Krysa, professora de mídia digital na Universidade de Plymouth, Inglaterra. O Kurator, explica Joasia, é um banco de dados de softwares de net art, que podem ser alterados e incrementados de maneira constante, como o são os softwares livres.
E quanto às estratégias curatoriais? Será possível, por exemplo, unir esforços e realizar uma curadoria de arte tecnológica em âmbito internacional, sem impasses geopolíticos? Uma experiência interessante foi contada por Susanne Jaschko, numa extensão do transmediale em Santiago, Chile, em 2003. No transmediale-extended.01, sua co-curadoria foi confrontada com modos de pensar, métodos e velocidade de trabalho completamente diferentes. Ao invés de abolir as idiossincrasias, o conselho curatorial resolveu mantê-las, criando dois níveis complementares de perspectiva: o local e o forasteiro. Outro aspecto fundamental é o tema e os recortes de exposições de arte tecnológica. Um evento que vale observar de perto é o Futuresonic 2005, também na Inglaterra. Unindo música eletrônica, exposições e simpósios, o conceito do evento estaria mais próximo do que Fabio Cypriano chama de "problematizar" a tecnologia. Na exibição "Fuzzy Logic", por exemplo, vários artistas computacionais mostram de forma inventiva e "politizada" como as máquinas téxteis do século 19 inspiraram os primeiros computadores.
O crítico de arte Fabio Cypriano, do jornal Folha de São Paulo, compartilha das mesmas aflições. Em matéria publicada no último dia 16, referente à exposição Cinético_Digital, ele deixou claro que há na produção recente de arte tecnológica um "certo deslumbre com a tecnologia que, em certos trabalhos, fica mesmo empobrecida perto do desenvolvimento atual dessa tecnologia no cinema, nos videogames ou no próprio cotidiano". O jornalista sugere que ao invés do fascínio tecnológico, os artistas contemporâneos deveriam seguir a senda iniciada pelos pioneiros, que problematizavam a tecnologia. Neste sentido, poderíamos dizer que o Partito Politica Futurista fazia uma crítica sistemática da velocidade automobilística? Como lembrou o escritor austríaco Robert Musil, os futuristas "exigiam o acelerismo, o aumento máximo da velocidade das experiências de vida através da biomecânica esportiva e da precisão acrobática". A crítica de Cypriano seria válida se as etapas de evolução artística estivessem inseridas num "continuum" conceitual e programático, mas esse não é o caso. Outra pergunta é: qual seria a dose certa da "problematização"? Algo entre o luditismo puro e o uso subversivo dos aparelhos? Ou algo entre um neofuturismo tecnofílico e um retro-vanguardismo tecnofóbico? A calibração proposta é complexa, mesmo sendo realizada em conjunto por artistas, público, curadoria e críticos navegando na mesma navilouca, o que, em se tratando de arte tecnológica, não é um trocadilho. De certa forma, a crítica de arte tecnológica pode acabar beneficiando as curadorias num movimento de "feedback loop", termo que explica como o fonógrafo influenciou, no início do século passado, a performance dos músicos de câmera, que passaram a corrigir seus maneirismos ao escutarem a gravação de suas apresentações, da mesma forma que os jogadores de futebol aperfeiçoam suas técnicas ao verem o replay de seus lances.
A questão curatorial é um elemento importante de todo o imbróglio. No Brasil (e, numa certa extensão, no mundo) a experiência curatorial no campo da arte tecnológica ainda é rarefeita. Mesmo no exterior, as preocupações continuam a todo o vapor. Um exemplo notório é o simpósio "Curating, Immateriality, Systems: On Curating Digital Media", recentemente realizado no Tate Modern, evento onde se discutiu, entre outras coisas, as várias maneiras de selecionar obras de net art, peças de arte em constante mutação que são produzidas de forma distribuída, como ilustra bem o modelo de Paul Baran. Qual seria a maneira correta de conciliar o espaço público dos museus que abrigam essa forma de arte com o ciberespaço público das redes? Luiz Camillo Osorio, na mesma matéria do jornal O Globo, responde que hospedar exposições na rede é "dar-lhes desdobramentos novos e imprevisíveis". Outra questão importante é: como as obras coletivas inseridas na rede podem ser arquivadas, já que essa é uma das atribuições principais de museus e instituições? Uma solução interessante foi apresentada no Tate Modern por Joasia Krysa, professora de mídia digital na Universidade de Plymouth, Inglaterra. O Kurator, explica Joasia, é um banco de dados de softwares de net art, que podem ser alterados e incrementados de maneira constante, como o são os softwares livres.
E quanto às estratégias curatoriais? Será possível, por exemplo, unir esforços e realizar uma curadoria de arte tecnológica em âmbito internacional, sem impasses geopolíticos? Uma experiência interessante foi contada por Susanne Jaschko, numa extensão do transmediale em Santiago, Chile, em 2003. No transmediale-extended.01, sua co-curadoria foi confrontada com modos de pensar, métodos e velocidade de trabalho completamente diferentes. Ao invés de abolir as idiossincrasias, o conselho curatorial resolveu mantê-las, criando dois níveis complementares de perspectiva: o local e o forasteiro. Outro aspecto fundamental é o tema e os recortes de exposições de arte tecnológica. Um evento que vale observar de perto é o Futuresonic 2005, também na Inglaterra. Unindo música eletrônica, exposições e simpósios, o conceito do evento estaria mais próximo do que Fabio Cypriano chama de "problematizar" a tecnologia. Na exibição "Fuzzy Logic", por exemplo, vários artistas computacionais mostram de forma inventiva e "politizada" como as máquinas téxteis do século 19 inspiraram os primeiros computadores.
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