UPDATE (1/03): Há um museu nos EUA que se recusou a receber a exposição dos guerreiros de terracota de Xi’an (expostos há pouco tempo na mesma Oca), pelo fato de serem réplicas. Aqui, a mesma revelação causou choque e descrédito em muita gente. Dentro do mesmo assunto, o professor W. J. T. Mitchell, da universidade de Chicago, escreveu um paper sobre o impacto da genética e da ciência da computação na arte contemporânea, comparando a época atual com o momento da "revolução" de Walter Benjamin.
28.2.07
Copie-me Se For Capaz!
UPDATE (1/03): Há um museu nos EUA que se recusou a receber a exposição dos guerreiros de terracota de Xi’an (expostos há pouco tempo na mesma Oca), pelo fato de serem réplicas. Aqui, a mesma revelação causou choque e descrédito em muita gente. Dentro do mesmo assunto, o professor W. J. T. Mitchell, da universidade de Chicago, escreveu um paper sobre o impacto da genética e da ciência da computação na arte contemporânea, comparando a época atual com o momento da "revolução" de Walter Benjamin.
27.2.07
Fim do Sem Fim
América Latina, a fronteira final. Há a sensação de um novo meme se formando neste continente perdido e isso graças ao faro fino de Régine Debatty. Estaria o centro em outra freguesia? Algo situado no mesmo paralelo que a Ilha da Caveira? Tome-se, por exemplo, a 1º Bienal del Fin del Mundo, em Ushuaia, na Terra do Fogo, cujo tema é o círculo espaço-temporal e a sucessão de momentos indivisíveis (Hume, citado por Itaulab). O projeto arquitetônico, que agrega o famoso Farol do Fim do Mundo (retratado por Júlio Verne no livro e em filmes com o mesmo nome; o grande Yul Brynner foi protagonista em uma das versões cinematográficas) é de Pedro Mendes da Rocha e Vasco Caldeira. Outro fato digno de atenção é a parceria entre Colômbia e Suécia num evento chamado Bogotrax, que terminou ontem. O destaque vai para Erik Sandelin e Magnus Torstensson, que saíram a campo direto da Escandinávia para demonstrar a Ophonine Pophorn, um gravador de loops para celulares. Animados, os dois seguem para Medellín em seguida. Há algo de perfumado no reino da Dinamarca. E dos Arruaco.
23.2.07
Africa Unite
O problema da África é nosso parco conhecimento acerca do continente. Nossa visão da estética, saúde e política africanas é muito rasa. Há uma trave em nossos olhos. Se almejares olhar sem traves, mate teu “tuga” interior. Por falar em “tuga”, um trecho filosófico de Mayombe: Nasci na Gabela, na terra do café. Da terra recebi a cor escura de café, vinda da mãe, misturada ao branco defunto do meu pai, comerciante português. Trago em mim o inconciliável e é este o meu motor. Num Universo de sim ou não, branco ou negro, eu represento o talvez. Talvez é não para quem quer ouvir sim e significa sim para quem espera ouvir não. A culpa será minha se os homens exigem a pureza e recusam as combinações? Sou eu que devo tornar-me em sim ou em não? Ou são os homens que devem aceitar o talvez? Face a este problema capital, as pessoas dividem-se aos meus olhos em dois grupos: os maniqueístas e os outros. É bom esclarecer que raros são os outros, o Mundo é geralmente maniqueísta.
11.2.07
Salvadores da Pátria Publicitária
Os terroristas semióticos do Exército da Salvação podem ser mais low tech, mas não são menos criativos que os perpetradores do estranho evento Turner/Boston...
UPDATE (13/02): Sergio Kulpas, em sua resenha sobre "O Homem Duplo", acrescenta mais informações sobre o assunto.
9.2.07
Tranqueiras Vitorianas
7.2.07
A Invenção do Turbo
UPDATE (22:56): O choque de culturas, em alguns casos, pode ser bem feio. Não pela grafia do cartaz ou pelo filme propriamente dito; mas pelo comentário.
UPDATE (8/02): Não apenas a cultura popular está sujeita às apropriações nacionalistas, mas também o Pop. Os desenhos animados destinados aos soldados norte-americanos da Segunda Guerra Mundial talvez seja um exemplo. E, se observarmos com mais atenção, o novo reality show Who Wants to Be a Superhero? se enquadra neste particular também. Outra reflexão: os nazistas não apenas foram beber na fonte da mitologia alemã, mas também no classicismo, a estabilidade e a tradição por excelência (chega a ser cômico visualizar um apolíneo vestido com um lederhosen).
UPDATE (17:05): Boris Buden receita a idéia de "tradução cultural" contra o mal do nacionalismo. Segundo ele, a cultura entrou em todos os poros da sociedade pós-moderna, substituindo inclusive o termo "sociedade". Isso seria possível se considerássemos a cultura como uma idéia (procurar a expressão "common culture" dentro do livro The Idea of Culture, de Terry Eagleton. O Google Book Search pode auxiliar maravilhosamente nessa tarefa). Buden alerta, porém, para algumas falhas conceituais da teoria Pós-Colonialista, como a concepção das "identidades híbridas", o outro lado da moeda essencialista que pode dificultar a emancipação universal proposta pela teoria da cultura supranacional.
UPDATE (9/02): Os pequenos ensaios dispostos neste blog são provocações no bom sentido. Não há a pretensão de provocar os gigantes do ringue. Somos livres pensadores e abrimos nossas fontes e metodologias de pesquisa. Por exemplo, a aquisição de conhecimento que embasa os posts é fundamentada, basicamente, no tripé Wikipedia, Google Book Search e Tachiyomi (hábito no Japão de se ler livros em pé nas livrarias).
Título
3.2.07
Anti-folklore
Bull Dancing, espetáculo concebido por Marcelo Evelin e apresentado no SESC Ipiranga durante o presente fim de semana, pode ser considerado um exemplo de "cultura supranacional", uma hipótese calcada na idéia mítica dos Registros de Akasha e nas idéias de alteridade do escritor polonês Ryszard Kapuscinski, o intérprete das culturas (a hipótese requer um texto à parte, mais apurado *). As culturas que compõem a cultura supranacional não estariam estanques em bunkers nacionais e, no que pese a suas origens, estariam no mesmo patamar do que os místicos hebraicos chamam de protolinguagem. O espetáculo de Evelin procura justamente tecer uma malha cultural acima das convenções puristas. Por exemplo, colocar Monika Haasova como uma minnessinger vestida de índia ao lado do "boi esquartejado" é de uma ousadia ímpar. A atriz eslovena também faz uma analogia entre as partes do corpo humano e as peças do boi, reforçando possíveis conotações sexuais estabelecidas pelas categorias de dominatrix, masotrix e (até!) machotrix.
A "farra do boi" perpetrada pelo grupo de Marcelo Evelin remete, arbitrariamente, aos infames experimentos com animais realizados pelo médico italiano Giovanni Aldini (1762-1834) e...
...também aos rituais pagãos das ilhas Hébridas de culto ao deus-sol Nuada, retratados tão bem no filme cult da década de 70, The Wicker Man (porém, ao invés do homem-boi, há lá o hobbyhorse, ver imagem acima). O espetáculo remove da cultura popular o ranço do folklore e promove um anti-folklore, com uma roupagem que teria assaz agradado à Oiticica.* O texto à parte, mais apurado, está aqui.
2.2.07
Normal Map
31.1.07
Tudo Morre
26.1.07
Adivinhe Quem Veio Para Jantar?
O LACDA (Los Angeles Center for Digital Art) apresenta a primeira exposição estrangeira do artista brasileiro Lúcio Carvalho. São 12 obras trabalhadas digitalmente de forma exaustiva, nas quais mostram aspectos da infância do artista na mesa de jantar.
23.1.07
Arquitetura da Destruição
18.1.07
Recicle!

O Felipe Fonseca, que se orgulha de ser um metarecicleiro, avisa que está acontecendo no Sesc o LAMIME (Laboratório de Mídias Metarecicladas). É sempre bom acompanhar o trabalho dos metarecicleiros, pois são eles os transformadores das novas sucatas tecnológicas que começam a assombrar a humanidade. Várias oficinas - inclusive relacionadas à pesquisa de música computacional eletrônica calcada em softwares livres - compõem o cardápio do evento.
9.1.07
Iraque Profundo
O novo projeto de Michael Rakowitz, "The Invisible Enemy Should not Exist", pretende reconstruir alguns artefatos arqueológicos saqueados do Museu Nacional do Iraque durante a invasão dos militares norte-americanos em 2003.
O título da exposição, que abre dia 12 no Lombard-Freid Projects em Nova York - é uma tradução de Aj-ibur-shapu, a antiga rua babilônica usada como via de procissão para o templo de Ishtar, parte do qual pode ser visto atualmente no Museu do Pérgamo, em Berlim. Os objetos foram confeccionados segundo pesquisas feitas no banco de dados de culturas orientais da Universidade de Chicago (estima-se que hoje há cerca de 7.000 objetos desaparecidos). Rakowitz mais uma vez presta um tributo aos seus antepassados iraquianos.
15.12.06
Reuso no Natal
13.12.06
Cidade Cenário 2
A cidade de Tativille (acima), nascida para Play Time, foi desmantelada aos poucos, o que não aconteceu com as casas lunares (abaixo) de Matmata, na Tunísia, construídas para o cenário de Star Wars. Os estúdios Hollywood perenizaram a idéia de cidade cenográfica, levada ao paroxismo por Jacques Tati e Eugene Roman.
11.12.06
Akasha Cibernética
7.12.06
Lúlio em Alta

Que nos perdoe Nick Currie, mas a cultura da remixagem pode ser a salvação do século 21, período em que a produção de subjetividade já não comporta mais apenas o diálogo (transversalização) e a experiência cultural própria (autoreferencial) – nos termos de Felix Guattari. A própria idéia de término já não basta aos criativos. Nem de sobreposição. Nem de justaposição. Tudo é o rio de Heráclito, a começar pela cultura. Nada garante ao coração do esperto escocês que a recombinação de Something vá despertar uma reminiscência proustiana. A remixagem de Mary Poppins – que virou um trailer de horror apavorante – é de um brilhantismo ímpar e ilustra bem o novo campo de possibilidades das recombinações. O que virá na seqüência? Nem Deus sabe. Desta forma, vem a calhar, dentro desta linha de percepção, o tema do transmediale 0.7...
4.12.06
Nassau em Alta
Recife é capital cultural, sim. Não adianta argumentos contra. Há uma incomparável efervescência cultural na Veneza Brasileira, raro de se encontrar em outros pontos de Pindorama. O cavalo-marinho de Mestre Salu, na Cidade Tabajara, concilia o som da rabeca - que, apesar da contagem de cordas, estranhamente remete a uma sonoridade das valsas do Tennessee - com tiradas clown e filigranadas coreografias. No mesmo espaço dos brincantes poderiam circular tranquilamente o Sotalia fluviatilis e o Anmoropral Delphinus delphis Uram (imagem abaixo), o Forró in the Dark e o Limão com Mel, a calunga do Maracatu e o andróide de Johnnie Walker, o Soft Cinema e o Cinema Vertical, o bairro da Bomba do Hemetério e o Google Bomb... Agenciamentos que já se concretizaram de forma empírica, como por exemplo, na parceria entre o Canal Contemporâneo e o Portal Dois Pontos no projeto documenta 12 magazines.

Na semana passada aconteceu o Seminário Arte & Tecnologia, fruto de uma parceria do Centro de Formação em Artes Visuais, da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, e o C.E.S.A.R, que dispensa apresentações. A simplicidade das mesas facilitou a propagação das idéias de André Lemos, Flávio Emanuel, Guilherme Kujawski, Eduardo Souza, Lucas Bambozzi e h.d. mabuse. Na mesa Curadoria e Produção, um rompante de metodologias e anti-metodologias. Na mesa Produção Artística, fundamentos de net e locative art. Na mesa Autoria e Redes, realidades aumentadas e concentradas. Ao final, uma mesa redonda sobre materialidade da obra de arte tecnológica, autoria coletiva, Disney e Grimm, templo de Ise... Para complementar, várias oficinas de Pure Data, o MAX/MSP de código aberto que está sendo recombinado pelo C.E.S.A.R.
UPDATE (5/12): Faltou comentar um assunto importante. h.d. mabuse manda avisar que já está funcionando a tyba, uma comunidade aberta de música e artes visuais (segundo o Wikcionário, tyba "denota idéia de coletivo"). Nos termos do sítio, o projeto é um ambiente aberto de encontro para o trabalho em rede, aprofundamento da reflexão, compartilhamento de histórias, lições aprendidas e melhores práticas na busca da transformação social de América Latina na direção do desenvolvimento sustentável da região. Todos estão convocados.
Na semana passada aconteceu o Seminário Arte & Tecnologia, fruto de uma parceria do Centro de Formação em Artes Visuais, da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, e o C.E.S.A.R, que dispensa apresentações. A simplicidade das mesas facilitou a propagação das idéias de André Lemos, Flávio Emanuel, Guilherme Kujawski, Eduardo Souza, Lucas Bambozzi e h.d. mabuse. Na mesa Curadoria e Produção, um rompante de metodologias e anti-metodologias. Na mesa Produção Artística, fundamentos de net e locative art. Na mesa Autoria e Redes, realidades aumentadas e concentradas. Ao final, uma mesa redonda sobre materialidade da obra de arte tecnológica, autoria coletiva, Disney e Grimm, templo de Ise... Para complementar, várias oficinas de Pure Data, o MAX/MSP de código aberto que está sendo recombinado pelo C.E.S.A.R.
UPDATE (5/12): Faltou comentar um assunto importante. h.d. mabuse manda avisar que já está funcionando a tyba, uma comunidade aberta de música e artes visuais (segundo o Wikcionário, tyba "denota idéia de coletivo"). Nos termos do sítio, o projeto é um ambiente aberto de encontro para o trabalho em rede, aprofundamento da reflexão, compartilhamento de histórias, lições aprendidas e melhores práticas na busca da transformação social de América Latina na direção do desenvolvimento sustentável da região. Todos estão convocados.
28.11.06
Mágicos da Terra
Só me interessa o que não é meu. Assim Oswald de Andrade descreveu em seu manifesto uma suposta prática de assimilação cultural, mais conhecida como antropofagia: influências externas são engolidas, digeridas e transformadas, ainda no útero, em mecônio, para depois irromper com toda a força e magia em algo novo e indefinido. É a mágica da transformação, da transmutação do Outro em Local. A discussão sobre fluxos e refluxos culturais ganhou um novo impulso em tempos de globalização, efeito cascata que diluiu as fronteiras comerciais e artísticas que dividiam o Ocidente e os povos bárbaros. Neste sentido, é possível realizar um acoplamento estrutural entre antropologia e arte. No texto As exposições internacionais de arte brasileira: discursos, práticas e interesses em jogo, Ana Leticia Fialho cita a famosa declaração do também famoso curador Jean-Hubert Martin, responsável por um dos primeiros eventos de arte globalizada, a exposição Les Magiciens de la Terre: Na América do Sul, especialmente, à parte o Brasil, nós tivemos muitas decepções porque encontramos artistas envolvidos num sistema de arte ocidental, com galerias, museus, etc. E as produções dos artistas nos pareceram muito dependentes de nossos grandes centros, ora, o que procurávamos era outra coisa – algo que pudesse renovar o olhar, renovar o interesse... Não me interessava mostrar que os artistas na América Latina lêem Artforum. A ironia, como observou Hermano Vianna, é que um dos indígenas das curio fairs internacionais acabou saindo na capa da revista citada! O gancho para invadir o campo da antropologia é irresistível e, para nos guiar nesse terreno movediço, invocamos Eduardo Viveiros de Castro, professor do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. No wiki AmaZone, há um outro manifesto, o Manifesto do Nada, que trata das diferentes abordagens etnográficas. Em nome da legibilidade de nossa tese, vale à pena citar um trecho específico do manifesto, ao lado dos respectivos diagramas.
No primeiro diagrama, o antropólogo (A) tende ao centro do sistema. Ele se desdobra em antropólogo e nativo pois, como já vimos, além de manter uma relação imediata (‘convencional’) com a cultura, assim como o nativo, ele também mantém uma relação mediatizada ou reflexiva (‘inventiva’). O antropólogo, em suma, possui os sentidos literal e metafórico da cultura.
[No segundo diagrama], o nativo (N), ao contrário, não possui capacidade inventiva. Ele mantém uma relação direta e literal com sua cultura. O máximo que lhe é concedido é a condição de ‘sujeito’ e não mais a de ‘objeto’.
Voltamos, então, para Ana Leticia Fialho, que coincidentemente divide em duas "categorias" os discursos curatoriais (ou "metadiscursos", segundo a definição da artista e curadora Martha Rosler). No discurso da assimilação/homogeneização, o elemento nacional deve desaparecer, sendo válidos somente os critérios estéticos, supostamente atemporais e universais. Já o discurso da diferença baseia-se na afirmação de características nacionais, regionais ou locais; no elogio da mestiçagem, do multiculturalismo ou até mesmo do exotismo.
Para suavizar - e ilustrar - a aridez do assunto, confrontamos a foto acima de um Moai original da ilha de Páscoa (1100 d.C.) com o trabalho Easter Bunnies (2004 d.C.) do artista suíço Olaf Breuning.
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