Blog do Itaulab

13.11.09

Tree Huggers







Mais relações entre árvores e arte tecnológica aqui e aqui.

12.11.09

Hockney Kindergarten


Pirralhos e um velho pintor inglês se deslumbram com as possibilidades pictóricas oferecidas pelo brinquedinho de Jobs...

6.11.09

Vale Estranho





De cima para baixo: Ella, de Gerhard Richter; uma ninfeta de David Hamilton; um c-print de Oliver Herring; e [não menos importante] um gamer em clima de Halloween [com máscara de polígono]. UPDATE (14/11): Foto de Elisabeth Molin. Ver mais em Uncanny valley.

14.10.09

O Outro do Mesmo

Arte tecnológica... Existe tal entidade? Certamente. Mas não de forma absoluta. Não é um Universal Concreto, como seus detratores apregoam; mas também não é um Absoluto “em si e por si”, como insistem seus defensores. Que há uma lacuna, isso há. Vazio este preenchido – eventualmente – por um fetiche tecnológico gratuito, asséptico e condescendente (a artista e teórica Giselle Beiguelman tem insistido nesse ponto). Uma coisa é certa: arte tecnológica está inserida perfeitamente no universo das artes visuais contemporâneas. Portanto, não há por que temê-la; não há por que diferenciar, por exemplo, categorias abstratas, como tipos de interatividade. “A interatividade que queremos é a social, não é aquela de brincar com joguinhos numa exposição de arte e tecnologia”, afirmou recentemente na mídia local o artista Maurício Dias, que está expondo, junto com seu parceiro Walter Riedweg, no Instituto Tomie Ohtake. Por que Dias faz questão de dissociar sua arte de qualquer resquício tecnológico, ele próprio que já participou de algumas exposições ditas de “arte tecnológica”? Por que tanta ojeriza? Será preciso muita força de vontade dos agentes para reverter o quadro. Sugerimos, então, para início de conversa, uma campanha para trazer o filho pródigo de volta ao seu lar, começando por um exercício de pensamento. Que tal colocar o robô lixeiro do grupo argentino Biopus (imagem acima) ao lado de uma candy work do artista cubano Felix Gonzales-Torres? É colocar uma representação da chamada arte tecnológica ao lado de um representante da chamada arte relacional. Será que Bourriaud (em breve aqui no Itaú Cultural) aprovaria? Talvez sim. Talvez não. Caso não, pode-se substitutir os pirulitos de Gonzales-Torres por outras guloseimas. O público, com certeza, iria adorar.

22.9.09

Itaulab em Lisboa

Montagem da obra OP_ERA, de Rejane Cantoni e Daniela Kutschat, para o INSIDE [arte e ciência], exposição arquitetada por Leonel Moura, em Lisboa. Embaixo, o robô paparazzi de Ken Rinaldo em primeiro plano. Outros artistas de destaque também estão presentes, como Orlan e Stelarc.

31.7.09

Por um Estado de Bem-estar da Alma

Ele dorme pouco. Suas olheiras, porém, não revelam cansaço; muito pelo contrário. Sua postura é enérgica, vibrante; suas ações são vigorosas. Seu raciocínio é aguçado. Ele sabe que não há tempo para o sono no colo do gigante adormecido chamado Brasil. Há muito por se fazer contra a mediocridade que grassa, seja no congresso nacional ou nos congressos estudantis. Esse incansável lutador lembra um pouco a energia infinda de Gordon Pask, o cientista britânico que, durante suas longas horas de vigília, propôs uma teoria da conversação que abarcasse humanos e máquinas. Mas tratamos de Silvio Meira, cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, que realizou a palestra inaugural do Simpósio GamePlay, ontem, dia 30 de julho. E que palestra! Em sua preleção, associou os processos de interação – substância da exposição GamePlay – com o devir existencial, com o “ser-aí” (dasein) de Martin Heidegger, a potencialidade do ente em disparada, em constante atualização, em sua busca constante por uma tensão dinâmica que lhe proporcione recursos contra a entropia, o fluxo bêbado do mundo exterior. Após algumas contextualizações filosóficas, Meira se desculpou por supostas imposturas intelectuais, e seguiu em frente em sua análise sobre o papel dos jogos eletrônicos na sociedade contemporânea. Se hoje eles espelham simulacros, é porque nos distanciamos por demais das percepções imediatas, da presença do real (a realidade propriamente dita) e do Real (a única realidade possível, segundo Lacan, a saber, a morte). Se os videogames tornaram-se hiperreais – a ponto de incluírem em seus ambientes sofisticadas simulações de leis de física – é porque, de certa maneira, nos tornamos escravos das formas puras platônicas, independentes dos mecanismos de percepção imediata. No futuro, de acordo com as previsões do filósofo pernambucano, “game is over”. Sim, pois ao invés de fingirmos tocar a guitarra de George Harrison no videogame musical The Beatles: Rock Band, vamos literalmente reproduzir os acordes, sem o recurso da simulação. A coisa real será o apelo. Logo, os personagens virtuais dos videogames serão materializados em robôs autônomos ou semi-autônomos que sentarão com humanos para redigir uma nova legislação de robótica, menos antropocêntrica que as três leis de Asimov. A lógica das percepções transformadas em emoções, hoje restrita ao universo dos humanos, fará parte de uma população de máquinas inteligentes não elaboradas para serem escravas ou assassinas de aluguel, mas simplesmente parceiras de jogos para a raça humana. Ao final, Meira contou sobre o que parece ser a solução para os aborrecidos videogames educacionais: competições em redes sociais. Tal é o fundamento do projeto OjE (Olimpíada de Jogos Digitais e Educação), iniciativa de vários players tecnológicos de Pernambuco. Ao invés de coibir a fuga de alunos para as lan houses, por que não trazê-las para o pátio dos colégios? O ensino não deveria ser um jogo de conhecimento? Silvio Meira quer mais que um estado de bem-estar; quer um Welfare State of Mind. Conte conosco, caro filósofo das técnicas!
UPDATE: Na linha de tudo o que foi dito anteriormente, Rosangela Massolin manda avisar que dia 8 de agosto acontece na USP o I Torneio Juvenil de Robótica de São Paulo. Mais informações aqui ou no telefone (11) 3872-8274.

28.7.09

Pisca-pisca

A matéria de hoje sobre o mercado de arte tecnológica na Folha Ilustrada provou somente uma coisa: a crítica de arte brasileira carece de uma axiologia. É nítida a falta de um arcabouço de valor aos “caquéticos guardiões do Pensamento Oficial” (Maffesoli) do jornalismo cultural. O autor em questão cometeu um texto no qual afirma que as expressões artísticas com novas tecnologias “piscam, giram, transmitem dados, imagens, sons em tempo real - em geral tudo muito colorido”. Redução? Não, indolência mesmo. A matéria é a prova cabal de uma ausência. Simples assim. Quod erat demonstrandum. O esperneio não é fruto de crise persecutória: se há alguma teoria conspiratória contra a arte tecnológica, foi provavelmente articulada por Mark Lombardi...

9.7.09

Hail Low Tech !

Na overture de GameMusic, Kurt Rizzo (do projeto SubwaySonic Beat) arrasou! Platéia cheia e animada louvou um Ian Curtis post-mortem. Nem MJ escapou (a versão "blip" de Moonwalker é impagável). O selo Chippanze chega na hora certa. Hoje tem André Pagnossim, do projeto Pulselooper. Quem é entendido, vai!

UPDATE (15/07): Kurt e André, dois dos paladinos chip.
UPDATE (27/07): Pagnossim subiu o show do Kurt pro Vimeo. Em breve, as três outras apresentações...

30.6.09

Conversações Não-Ortodoxas

Após um ano de pesquisas e um número infindo de videogames testados, tem início hoje a exposição GamePlay. A proposta não é tecer encômios aos jogos eletrônicos, o que seria óbvio por demais. Mesmo porque ela não abriga apenas videogames, como também instalações interativas. Portanto, o que está em jogo (trocadilho em alusão a um dos materiais de comunicação) é a relação entre humanos e máquinas, ou o que é chamado tecnicamente de Human–computer interaction (HCI). É como se a idéia de “estética relacional”, desenvolvida por Nicolas Bourriaud, se estendesse para fora dos espaços de convivência e das micro-revoluções e invadisse um campo onde a conversação se dá em outros tipos de “formas-mundo”, onde é possível desenvolver outros tipos de relações e outras maneiras de projetar possibilidades. É desejável – com a licença de Bourriaud – chamar esse tipo de estética de “estética da interação”, em que as relações internas do algoritmo extrapolam para uma semântica entre o “observador-manipulador” e uma máquina de reiterações. Apesar de a grade conceitual cibernética estar presente, o evento não é “ciberdeterminista”, já que aposta nas relações semânticas entre humanos e máquinas e não apenas nas relações sintáticas encasteladas por objetos técnicos.

25.6.09

Festa do Móbile

O guerreiro Paulo Hartmann avisa que a chamada de trabalhos e vídeos do Mobilefest deste ano foi estendida. Paulo e Marcelo Godoy também estão abrindo uma categoria no Prêmio Mobilefest, que está indo para sua terceira edição neste ano, e será lançado durante o IV Mobilefest, que acontece de 17 a 28 de setembro, no MIS (mais sobre isso, depois). Highlight: Sara Diamond, do OCAD, vai dar palestra no evento...