16.6.07

Salvador or Bust!


No próximo dia 20, o Itaulab vai estar em Salvador, a convite do Goethe-Institut Salvador e da Universidade Federal da Bahia, para participar do ciclo de debates CIBERCULTURA REMIX – CULTURA LIVRE NO SÉCULO XXI. Será proferida uma palestra intitulada "As Duas Sementes de Dragão", cujo resumo é: Pensadores de povos localizados na periferia dos mercados globais substituíram o discurso da dominação colonialista pelo discurso de dominação cultural. Não mais o capitalismo procura por novas forças de produção e mercados emergentes situados nas bordas, mas por recipientes de caldos culturais imperativos. A perspectiva está lançada. Mas resta-nos acatar ou rejeitar a imposição? Ou haveria um tertium quid para o problema? O texto a seguir é calcado na premissa de que a chamada cultura hegemônica ocidental gerou dois singulares rebentos, ou melhor, duas sementes de dragão: a Internet...

...e a Antropologia.

7.6.07

Para a Sua Informação


Os leitores devem ter notado o sumiço da revista CIBERCULTURA do novo site do Itaú Cultural. Há uma explicação científica para tal ocorrido, fundamentada no espírito de época. No próximo dia 19, o Itaulab lança a nova Enciclopédia de Arte e Tecnologia que reúne dois produtos: o Panorama de Arte e Tecnologia do Itaú Cultural e o veículo oficial do Itaulab. A nova enciclopédia é, portanto, um produto híbrido, mas que oferece novas funções para a participação do público e a formação de redes sociais.

Desde o iluminismo, as enciclopédias vêem exercendo um papel crítico na formação cultural da humanidade. Com o advento da Web 2.0, começa a configurar-se a tendência para dotar as enciclopédias de um modelo estrutural capaz de conglomerar as informações e, de quebra, descentralizar a elaboração de conteúdos. Os novos modelos, exemplificados na hoje respeitada Wikipedia, visam criar um ambiente colaborativo e favorecer a flutuação infinita das leituras possíveis, quer irradiando e cruzando os temas por elas tratados, quer reforçando o trabalho de indexação. Poderíamos afirmar que a os enciclopedistas deram lugar aos "wikipedistas"?

No dia 19, na sala vermelha do Instituto, essa pergunta será respondida por Lúcia Leão (dispensa apresentações) e Luis Henrique Fagundes, um dos responsáveis pela plataforma TikiWiki, a base da qual foi construída a nova enciclopédia. A dupla vai participar do debate que marcará o ponto de partida dessa nova aventura. Que Diderot e d'Alembert nos abençoem!

2.6.07

Ultima Peraltice de Hirst?

Talvez seja a magnum opus de Damien Hirst... “For the Love of God” é um crânio humano incrustado de diamantes no valor de cem milhões de dólares. O queridinho dos YBA foi longe demais dessa vez? Ou é o encontro glorioso entre arqueologia e arte contemporânea?

20.5.07

O Monstro de Seul

O filme “O Predador”, que está em cartaz, é imperdível por diversos motivos. Em primeiro lugar, o diretor sul-coreano Bong Joon-ho foi chamado de “Gogol de Seul” pela revista Artforum de janeiro. O monstro do filme pode até lembrar um pouco o do “Alien, o Oitavo Passageiro”, mas tem em abundância características clássicas, menos para Gojira e mais para o trabalho de Ray Harryhausen. Terceiro, sublinha a narrativa principal um sofisticado discurso político contra a imposição de “culturas” e “sociologias”. Por fim: a direção de arte e a trilha sonora (a direção geral, em suma) são brilhantes.

15.5.07

Universos e Metaversos


Há certas observações que não querem calar sobre o Second Life, o universo massivo que virou hype absoluto. A falta de criatividade arquitetônica, por exemplo, é uma limitação do programa interno de construção, o builder, "um programa primitivo (...), que possui apenas formas volumétricas básicas, como cubos, prismas e cones", segundo o designer uruguaio Fernando Vasquez (LINK, 14/05). Deve ser por esse motivo que largas porções do SL estão se transformando em verdadeiras "cidades fantasmas". Isso já foi martelado, inclusive nesse blog. Há outras considerações, mais antropológicas, a serem analisadas. Não é incrível que um universo virtual, onde as regras da sociedade real estão a anos luz de distância, reflita – de forma ampliada, suspeita-se – as mesmas normas de convivência? É o caso do "efeito elevador", por exemplo. Não são muito bem vistas e recebidas aproximações um tanto quanto excessivas, contatos visuais incisivos ou mesmo toques corporais não solicitados. É muito ocidental esse tipo de comportamento. Eurocêntrico, diríamos. O antropólogo italiano Massimo Canevacci – que passou ontem pelo Itaulab e gentilmente nos forneceu um texto, para a honra de CIBERCULTURA – tem o projeto de realizar missões etnológicas dentro do SL. Ele pretende criar um avatar chamado Malinowski II para realizar tal tarefa. Nada mais apropriado, já que o famoso antropólogo polonês era um funcionalista, isto é, acreditava que a práxis determina a cultura, e não vice-versa. Não apenas isso: para o funcionalismo, todas as ações, práticas e comportamentos humanos são determinados por impulsos biológicos básicos, justificados por interesses puramente econômicos. A proposta de Canevacci é deveras interessante. O produto não se tornou amplamente comoditizado? Mas fazemos uma contraproposta: não seria melhor criar o avatar Sahlins II? Ou um Viveiros II? Eles, com certeza, inverteriam a lógica da cultura e da razão prática. Colocariam um pouco mais de humanidade e subjetividade no Second Life. Independente das questões arquitetônicas e antropológicas vale muito à pena prestar atenção para as decorrências deste universo (ou metaverso?). Em breve, um call for performances...

2.5.07

Espelho Seu

Um dos traumas da cultura ocidental são as apropriações de conceitos, idéias, etc. Uma imagem mental é algo que se pode cercear como uma propriedade física? Uma das soluções para esse problema é reinstalar a noção de sincronicidade para justificar as coincidências simbólicas que ocorrem em tempos e espaços diferentes.


O prólogo é para comentar sobre "A Invenção de Loren", peça da dramaturga e diretora Ana Roxo que estreou no espaço dos Satyros Dois, em São Paulo. Basicamente, o argumento é sobre uma empresa especializada em fornecer amigos imaginários para pessoas solitárias. Há um foco em mulheres virtuais, e um exemplo que vêm à cabeça é a Gazira Babeli. De qualquer modo, é absolutamente incrível a semelhança da dramaturgia com o projeto LOREN, THE TEXTUAL-WOMAN, de 1997. Não há uma acusação de plágio. Há apenas o desejo de entender a sincronicidade. Nada mais. Há também o desejo de comentar o fenômeno com a diretora. Ana Roxo: você está copiando (na acepção radioamadora)? Se sim, entre em contato, por favor.

20.4.07

Endoscopia em Frutas

O conceito exposto no volante é auto-explicativo. A concepção do projeto é de José Wagner Garcia e Rejane Cantoni. A abertura é dia 24 de abril, às 19h00 no Paço das Arte, Cidade Universitária, em São Paulo.

12.4.07

Abraço Simultâneo

A CuteCircuit, empresa que agrega tecnologias trajáveis às telecomunicações, está participando da Robótica Expo com a celebrada Hug Shirt, que ganhou, da revista TIME, o prêmio de melhor invenção de 2006. Em termos gerais, trata-se de um dispositivo Bluetooth que transmite, via celulares, "abraços" para pessoas trajando uma camisa munida com sensores especiais. Seja um fashionista de última geração convertendo movimentos temporais em movimentos espaciais!

3.4.07

Cibernética e Design

Upgrade! International é uma rede internacional que promove encontros de artistas, curadores e a comunidade de novas mídias. O nó de São Paulo vai estrear com a apresentação de "Cibernética na Arte: da teoria às experimentações artísticas" da pesquisadora, artista e professora da USP, Silvia Laurentiz (a curadoria é de Martha Carrer Cruz Gabriel). A cibernética parece ser um tema mais atual do que nunca, pois, segundo a Silvia, é uma disciplina que estuda os sistemas - ou organismos - complexos e adaptativos, ou seja, mescla o reino animal e digital de forma inconsútil. O evento é imperdível e acontece no dia 18, com acesso gratuito. Aproveitando o espírito de "serviços", anunciamos que o Centro Universitário Senac está lançando mestrado em design e, em celebração, promove o 1º Seminário de Pesquisa em Design, Comunicação e Cognição, com a participação de vários cognoscenti.

30.3.07

Embate Criativo

Cassaro faz "poesia para ser carregada e exibida em dispositivos dotados de écran portáteis ou não", e seu autômato de papel-espelho é "parte integrante do projeto inclusão robótica social". Sem provocar um embate do tipo futuristas russos versus futuristas italianos, o trabalho de Casaro provoca respostas e posicionamentos locais à tendências homogeneizantes (apud Moacir dos Anjos). Atualmente, o artista está expondo na Galeria Laura Larsiaj. Há vários vídeos na Internet, inclusive o do cosplayers-transformers.
UPDATE (22:00): o vídeo do Aeromamulengo é um ticker poético. Já o vídeo dos Cosplayers é para inspiração. Ambos vistos, de confesso, a posteriori. Aqui há mais (notar o outrocicloide).

28.3.07

Rubik Espelhado

A instalação "infinito ao cubo", de Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti, é uma quimera entre o tesseracto e a sala de espelhos dos parques de diversões (essa é a impressão ao se ler o texto do release). A proposta, segundo o mesmo texto, é criar algo "apenas matematicamente impossível". Nossa curiosidade foi despertada. A instalação ficará exposta de 1 de abril a 6 de maio, na Pinacoteca, em São Paulo.

23.3.07

Wonder Woman

Projeção de "Super X" na fachada do Itaú Cultural, na noite de 20 de março. Regina Silveira antecipou o Graffiti Research Lab!

21.3.07

Trangressão Pós-nacional

A transgressão é o outro lado da medaille d'honneur do consenso, diz o caolho escocês. Tem artistas que levam isso ao pé da letra, como o austríaco revolucionário Oliver Ressler, que enviou para a gente o pôster do projeto Holy Damn It - About the Urge of Radical Answers, uma produção em massa de convocatórias contra a Cúpula do G-8, que vai se reunir de 6 a 8 de Junho em Heiligendamm, Alemanha.

20.3.07

O Prank do Fim do Mundo


MENSAGEM AOS HOMENS DE BOA VONTADE: NÃO SE ENCLAUSUREM NOS GRILHÕES DE SEUS COMPORTAMENTOS INCONSEQÜENTES E CRIMINOSOS. SALVEM URGENTEMENTE O NOSSO PLANETA!

É com a emissão de mensagens desse porte que Fred Forest inaugura seu mais recente prank na 1º Bienal del Fin del Mundo, que compreende uma instalação no farol e um terminal disposto em uma das celas do presídio de Ushuaia, na qual os visitantes poderão consultar um site na Internet e acionar os emissores de conclamações que pouco a pouco se multiplicarão sob a abóbada celeste.

O texto conceitual do projeto, enviado por Forest ao Blog do Itaulab, começa da seguinte forma: No topo das prioridades da ecologia está a mente e a inteligência, que juntas poderão nos conscientizar dos perigos iminentes que nós mesmos criamos, de modo que possamos garantir as condições mínimas de nossa própria sobrevivência durante toda a continuidade de um tempo eterno - um tempo que poderá ter a energia positiva do mundo e uma sabedoria ancestral. O farol de Ushuaia, postado como uma sentinela, emitirá incansavelmente seus sinais do Pólo Sul para o Pólo Norte. Essa progressão ocorrerá seguindo linhas flexíveis e moveis de ondas, que se multiplicarão até o infinito e acabarão por envolver o planeta inteiro com um véu invisível. Esse véu, tecido pela expressão coletiva dos homens de boa vontade, será como a túnica leve de um xamã dotado de poderes eletrônicos. Uma túnica que a partir de agora nos protegerá das tentações mortíferas da civilização: do ruído e do furor, da poluição, da violência, da fome indigna, do terrorismo, do fanatismo de todo tipo, da predação sistemática das riquezas naturais.

O impulso de mudar o vetor de fluxos culturais, expresso no termo "do Pólo Sul ao Pólo Norte", é a epítome dos novos anseios de difusão cultural, que contrariam os atuais fluxos de informação (ver imagem abaixo). O padrão hegemônico é descrito de forma lúcida por Moacir dos Anjos no livro Local/Global: Arte em Trânsito: Outra manifestação das estruturas hierarquizadas de poder que presidem os processos de transculturação é encontrada no caráter assimétrico dos fluxos de informação mundializados, muito mais volumosos no sentido das regiões centrais para as periféricas do que na direção oposta, o que faz com que as formas culturais criadas nas regiões que possuem hegemonia do processo de globalização sejam melhor difundidas e afirmadas mundialmente do que as ressignificações que delas são feitas a partir de culturas locais e, evidentemente, do que criações somente nestas assentadas.

Conhecendo as estratégias de Forest, o tom mítico e politicamente correto do manifesto adquire estranhas conotações satíricas. É um prank de grandes dimensões, comparável ao (não confirmado) último prank de Sir John Hargrave: hackear o Super Bowl para a divulgação do livro Prank the Monkey: The ZUG Book of Pranks.


Mas as estratégias de Forest, que estão sendo desenvolvidas desde a década de 60, são mais "pé no chão", seja lá o que esse termo signifique lendo as seguintes linhas (e entrelinhas): A sentinela do fim do mundo, erguida entre o céu, o mar e a terra, lançará sua mensagem de sabedoria e de inteligência para que os homens, num último lampejo derradeiro, possam reconsiderar suas atitudes. A tecnologia - que vai deixar de ser um objeto de vigilância, opressão e morte - vai permitir que a sentinela do fim do mundo emita ondas "positivas". São ondas luminosas e sonoras que vão varrer o planeta em toda a sua extensão para iluminar as nossas mentes. Cada um poderá oferecer o seu corpo a essas ondas de fluxo benéfico conectando seu computador, qualquer que seja a posição em que se encontre em termos de latitude e longitude, seu local geográfico ou o país da Terra: Gaia, a mãe de todos nós.

O manifesto, proferido por outro que não fosse Fred Forest, soaria como uma logorréia new age. Mas dito pelo prankster gaulês argelino, é uma sátira digital que inverte a lógica de Borat, ou seja, ao invés de consumar a crítica com a ampliação do incorreto (racismo, sexismo, etc), ele a realiza com a amplificação do social e politicamente aceitável.


Lendo a primeira etapa do projeto, a sátira desvela seus contornos cínicos: um emissor de ondas curtas será instalado de modo simbólico no alto deste farol e divulgará uma mensagem gravada em várias línguas. Ou seja, a imanência da "obra" continua sendo transcendental. Na segunda etapa, será criado um site na Internet permitindo a divulgação mundial de uma mensagem ilustrada com a imagem deste farol, uma espécie de entidade mítica batizada de A Sentinela do Fim do Mundo. Por meio de uma animação gráfica superposta à foto, ondas concêntricas móveis emanarão da parte superior desta figura-tótem erguida no céu. Um botão interativo permitirá desencadear as ondas e outro inserir mensagens.

Mais uma vez, Forest se diverte e, ao mesmo tempo, combate.

19.3.07

Historiadores do Futuro

Conhecer o passado do futuro para saborear melhor o presente. É assim que resumimos o livro MediaArtHistories, editado por Oliver Grau. Um trecho do release: A arte digital progrediu a ponto de se tornar uma das mais importantes manifestações artísticas contemporâneas, a despeito de ainda não ser reconhecida por instituições tradicionais, nem suficientemente arquivada ou incluída de forma sistemática em acervos, muito menos representada por completo nos cursos de graduação de História da Arte e outras disciplinas acadêmicas. Para superar essa lacuna, o projeto reuniu autores renomados da Europa e dos EUA, como Rudolf Arnheim, Peter Weibel, W.J.T. Mitchell, Oliver Grau, Lev Manovich, Erkki Huhtamo, além de alguns representantes da Ásia e da Austrália, como Machiko Kusahara e Sean Cubitt. Obviamente, o aspecto histórico da arte tecnológica é tratada com a devida atenção. Os colaboradores traçam a evolução das chamadas artes digitais, das máquinas automáticas do século 13 islâmico, espetáculos de phantasmagoria do século 18, lanternas mágicas, até as invenções de Marcel Duchamp, a arte cinética e a Op art dos anos 1960. Uma resenha acurada do livro está sendo preparada para CIBERCULTURA.

18.3.07

Bacilos e Saúvas

Aqui vai uma paráfrase jocosa de Gaspari. MARIODEANDRADE@NET para BARBARA@UOL: os males do Brasil não são a pouca saúde e as saúvas; o grande mal é o atraso no campo das idéias. Se nem os filósofos nacionais conseguem conter suas emoções perante as barbaridades brasileiras, por que meros livres pensadores assim o fariam? Difícil mesmo é ficar calado após a leitura do texto Cultura de Bacilos, encontrado na Folha e divulgado na Internet como se fosse um “achado”. Nele, a jornalista ataca o Minc por investir em pontos de cultura relacionados ao funk, rap e hip-hop, pois isto não é “criação nossa”. O melhor seria, diz ela, investir em axé e música sertaneja, ou mesmo em divulgação de textos de Machado de Assis e Guimarães Rosa. Tupã! Livrai-nos de semelhantes mal traçadas linhas! Já é tempo de rebater visões inconsistentes de cultura, que irrompem solertes na mídia com incômoda freqüência. Há novas perspectivas, boa gente! E elas implicam em confusão! Para o seu governo, senhora, o hibridismo não é uma experiência biológica nazista; é o processo de aunar a uma cultura hegemônica as forças criativas locais e periféricas. Aliás, a própria idéia de “cultura hegemônica” cai por terra quando esta é recondicionada e injetada novamente no circuito das comunicações não apenas com uma nova roupagem, mas com um novo significado e um novo vetor. E essa é a boa nova! As novas perspectivas, senhora, enterram de vez posições puristas das quais se fundam as resistências vernaculares e as noções essencialistas de identidade! Até as famosas antinomias – popular/erudito, tradicional/moderno, local/global – empalidecem diante da proposta de uma cultura supranacional. Em resumo, senhora: criticar a McDonaldização da cultura é uma platitude tão antiga quanto pichar Yankees, go home! A onda agora, anote, é a confusão.

14.3.07

Fast Track

Os carros sempre causaram fascinação, seja ela mórbida – ballardiana (termo já localizável em dicionários ingleses) – ou estética. Neste segundo quesito, surgiram no radar de hoje dois exemplos interessantes e merecedores de postagens. O grande Olafur Eliasson (ídolo de alguns curadores e artistas brasileiros) foi comissionado para decorar o H2R, o carro da BMW movido a hidrogênio (abaixo). E o artista inglês Benedict Radcliffe realizou um carro em wireframe, uma escultura não digital, mas real.

7.3.07

Adieu

Eh bien, je suis hors de moi, dans tous les sens du terme!
Les exilés du dialogue, Jean Baudrillard, Enrique Valiente Noailles, éd. Galilée, Paris, octobre 2005
UPDATE (14:30): Sheila Leirner escreveu um comovente "necrológio". Trecho de destaque: Vou lembrar que, convidado a vir ao Brasil pela primeira vez, você entrou em meu escritório da Bienal como um leão à contragosto talvez porque a arte, sobretudo a contemporânea, nunca foi a sua "taça de chá". E mesmo assim, Jean Baudrillard, ou talvez justamente por causa disto – você foi o seu profeta!

6.3.07

Big Art

A arte, vez em quando, chega ao paroxismo no que se refere à intervenção ambiental. O novo queridinho de Hans-Ulrich Orbist (ver Artforum de janeiro), o artista chinês Xu Zhen, literalmente serrou 1,86 metros do topo do monte Everest para a Trienal de Yokohama. E Bernd Hopfengärtner resolveu fazer um crop circle no formato de um semacode com a mensagem: “Hello, world!”. Estaria ele preparando o terreno para o Ziggy Stardust?

2.3.07

Stranger Than Fiction

Quando a Nissan ingressou no metaverso, todos ficaram impressionados com aquele car-dispenser...
Agora, se você comprar um Volkswagen na montadora de Wolfsburg, Alemanha, vai ter a mesma experiência.

28.2.07

Copie-me Se For Capaz!

O jornalismo cultural brasileiro virou um zumbi? Hoje a Folha publicou textos sobre duas exposições recém inauguradas na Oca: “Corpo Humano – Real e Fascinante” e a mostra dedicada a Leonardo Da Vinci. O mais assustador é que as duas matérias dão um foco especial ao fato de as obras serem "cópias", isso num tom moralista e alarmista, como se todos os problemas da arte se reduzissem à “reprodutibilidade técnica”, premissa benjaminiana citada – previsivelmente – por um dos críticos. Os estudos de Da Vinci foram realizados por copiadoras de fundo de quintal, enquanto os cadáveres plastinados de Glover são fumês espelhados, replicações oportunistas calcadas na polêmica exposição de Von Hagens. Vale tirarmos da estante o livro The Future of the Past, de Alexander Stille, para professorarmos aos senhores críticos que fac-símiles, no campo da arte e da cultura, são considerados, por mentalidades não ocidentais, obras sublimes que, em determinadas circunstâncias, até ultrapassam em excelência o objeto original. Senão, vejamos: na língua chinesa, segundo Stille, há duas expressões diferentes para "cópia": fang zhipin é o que mais se aproxima ao que nós, pobre ocidentais, chamamos de reprodução, ou seja, uma cópia barata e sem esmero. Já fu zhipin significa uma cópia perfeita, de alta qualidade, não raramente superior à matriz. Há, convenhamos, certa sabedoria nesta distinção. Ou não?
UPDATE (1/03): Há um museu nos EUA que se recusou a receber a exposição dos guerreiros de terracota de Xi’an (expostos há pouco tempo na mesma Oca), pelo fato de serem réplicas. Aqui, a mesma revelação causou choque e descrédito em muita gente. Dentro do mesmo assunto, o professor W. J. T. Mitchell, da universidade de Chicago, escreveu um paper sobre o impacto da genética e da ciência da computação na arte contemporânea, comparando a época atual com o momento da "revolução" de Walter Benjamin.

27.2.07

Fim do Sem Fim

América Latina, a fronteira final. Há a sensação de um novo meme se formando neste continente perdido e isso graças ao faro fino de Régine Debatty. Estaria o centro em outra freguesia? Algo situado no mesmo paralelo que a Ilha da Caveira? Tome-se, por exemplo, a 1º Bienal del Fin del Mundo, em Ushuaia, na Terra do Fogo, cujo tema é o círculo espaço-temporal e a sucessão de momentos indivisíveis (Hume, citado por Itaulab). O projeto arquitetônico, que agrega o famoso Farol do Fim do Mundo (retratado por Júlio Verne no livro e em filmes com o mesmo nome; o grande Yul Brynner foi protagonista em uma das versões cinematográficas) é de Pedro Mendes da Rocha e Vasco Caldeira. Outro fato digno de atenção é a parceria entre Colômbia e Suécia num evento chamado Bogotrax, que terminou ontem. O destaque vai para Erik Sandelin e Magnus Torstensson, que saíram a campo direto da Escandinávia para demonstrar a Ophonine Pophorn, um gravador de loops para celulares. Animados, os dois seguem para Medellín em seguida. Há algo de perfumado no reino da Dinamarca. E dos Arruaco.

23.2.07

Africa Unite

O problema da África é nosso parco conhecimento acerca do continente. Nossa visão da estética, saúde e política africanas é muito rasa. Há uma trave em nossos olhos. Se almejares olhar sem traves, mate teu “tuga” interior. Por falar em “tuga”, um trecho filosófico de Mayombe: Nasci na Gabela, na terra do café. Da terra recebi a cor escura de café, vinda da mãe, misturada ao branco defunto do meu pai, comerciante português. Trago em mim o inconciliável e é este o meu motor. Num Universo de sim ou não, branco ou negro, eu represento o talvez. Talvez é não para quem quer ouvir sim e significa sim para quem espera ouvir não. A culpa será minha se os homens exigem a pureza e recusam as combinações? Sou eu que devo tornar-me em sim ou em não? Ou são os homens que devem aceitar o talvez? Face a este problema capital, as pessoas dividem-se aos meus olhos em dois grupos: os maniqueístas e os outros. É bom esclarecer que raros são os outros, o Mundo é geralmente maniqueísta.

11.2.07

Salvadores da Pátria Publicitária

Os terroristas semióticos do Exército da Salvação podem ser mais low tech, mas não são menos criativos que os perpetradores do estranho evento Turner/Boston...


UPDATE (13/02): Sergio Kulpas, em sua resenha sobre "O Homem Duplo", acrescenta mais informações sobre o assunto.

9.2.07

Tranqueiras Vitorianas

Em primeira instância, enquadra-se no campo do design. Mas, por extensão, no campo da device art. Aqui estão as luminárias steampunk de Herr Buchwald.

7.2.07

A Invenção do Turbo

Atualmente, as discussões sobre cultura giram em torno de contraposições diversas que, grosso modo, são sumarizadas na questão dos choques culturais. Pop versus cultura popular é um bom exemplo. Há hoje quem ainda insista em contrapor o multiculturalismo (agora sob a alcunha de “hibridismo”) às manifestações culturais puras, como aquelas que surgem, na ingênua concepção de seus defensores, por “partenogênese”. Aparentemente, não se discute tanto na academia os mecanismos pelos quais supostas tradições culturais são apropriadas com o intuito de legitimar nacionalismos não tão progressistas (aliás: existe nacionalismo progressista?). Quem mais próximo chegou a tocar no assunto foi Eric Hobsbawn no livro “A Invenção das Tradições”. No primeiro capítulo, o historiador inglês demonstra como as tradições escocesas foram forjadas por um grupo de irlandeses que migraram para as Highlands e assim agiram para fundar uma memória inexistente e uma “tradição nacional”. Assim, o kilt e até o famoso poema “caledônio” Ossian, admirado até por agentes do romantismo (ver a obra acima de Ingres), são simplesmente representações de uma fraude. A discussão que urge voltar à pauta dos acadêmicos é exatamente como as tradições tornam-se, com o excesso de repetição, cerimoniais vazios, mas repletos de intenções ideológicas ocultas. Tornam-se, assim, uma pageantry. O maior problema é colocar tradições que não são costumes (estes, sim, orgânicos e afeitos a releituras, desconstruções e upgrades) a serviço de políticos inescrupulosos. Foi assim que surgiu, na antiga Iugoslávia, o turbo-folk, um pastiche de gênero musical que virou o verdadeiro hino dos Chetniks, os nacionalistas sérvios. Assim, o historiador que entender como a cultura popular é transformada em turbo estará em vantagem competitiva.

Claro que o delicioso reggae feminista-steampunk-turbofolk da banda iraniana Abjeez (obrigado, Bruce Sterling!) está fora da discussão.
UPDATE (22:56): O choque de culturas, em alguns casos, pode ser bem feio. Não pela grafia do cartaz ou pelo filme propriamente dito; mas pelo comentário.
UPDATE (8/02): Não apenas a cultura popular está sujeita às apropriações nacionalistas, mas também o Pop. Os desenhos animados destinados aos soldados norte-americanos da Segunda Guerra Mundial talvez seja um exemplo. E, se observarmos com mais atenção, o novo reality show Who Wants to Be a Superhero? se enquadra neste particular também. Outra reflexão: os nazistas não apenas foram beber na fonte da mitologia alemã, mas também no classicismo, a estabilidade e a tradição por excelência (chega a ser cômico visualizar um apolíneo vestido com um lederhosen).
UPDATE (17:05): Boris Buden receita a idéia de "tradução cultural" contra o mal do nacionalismo. Segundo ele, a cultura entrou em todos os poros da sociedade pós-moderna, substituindo inclusive o termo "sociedade". Isso seria possível se considerássemos a cultura como uma idéia (procurar a expressão "common culture" dentro do livro The Idea of Culture, de Terry Eagleton. O Google Book Search pode auxiliar maravilhosamente nessa tarefa). Buden alerta, porém, para algumas falhas conceituais da teoria Pós-Colonialista, como a concepção das "identidades híbridas", o outro lado da moeda essencialista que pode dificultar a emancipação universal proposta pela teoria da cultura supranacional.
UPDATE (9/02): Os pequenos ensaios dispostos neste blog são provocações no bom sentido. Não há a pretensão de provocar os gigantes do ringue. Somos livres pensadores e abrimos nossas fontes e metodologias de pesquisa. Por exemplo, a aquisição de conhecimento que embasa os posts é fundamentada, basicamente, no tripé Wikipedia, Google Book Search e Tachiyomi (hábito no Japão de se ler livros em pé nas livrarias).

UPDATE (23/02): Mas o que dirão os críticos estipendiados? Bem, além dos três métodos suspeitos acima, há também a compra e leitura de livros, uma das tecnologias mais bem sucedidas que se tem notícia.

Título

O brasileiro Márcio Ambrósio, grafista e animador, vive atualmente na Bélgica e acaba de inaugurar uma instalação de vídeo em Bruxelas (vai até 28 de fevereiro). O projeto chama-se Oups! e é basicamente uma instalação na qual os visitantes interagem com um universo de animações. O esquema é bem-bolado, com três camadas: projeção de fundo, “personagem” (participante) no meio e desenho animado sobrepondo tudo. O trabalho tem um sabor de "Messa di Voce".

3.2.07

Anti-folklore

Bull Dancing, espetáculo concebido por Marcelo Evelin e apresentado no SESC Ipiranga durante o presente fim de semana, pode ser considerado um exemplo de "cultura supranacional", uma hipótese calcada na idéia mítica dos Registros de Akasha e nas idéias de alteridade do escritor polonês Ryszard Kapuscinski, o intérprete das culturas (a hipótese requer um texto à parte, mais apurado *). As culturas que compõem a cultura supranacional não estariam estanques em bunkers nacionais e, no que pese a suas origens, estariam no mesmo patamar do que os místicos hebraicos chamam de protolinguagem. O espetáculo de Evelin procura justamente tecer uma malha cultural acima das convenções puristas. Por exemplo, colocar Monika Haasova como uma minnessinger vestida de índia ao lado do "boi esquartejado" é de uma ousadia ímpar. A atriz eslovena também faz uma analogia entre as partes do corpo humano e as peças do boi, reforçando possíveis conotações sexuais estabelecidas pelas categorias de dominatrix, masotrix e (até!) machotrix.

A "farra do boi" perpetrada pelo grupo de Marcelo Evelin remete, arbitrariamente, aos infames experimentos com animais realizados pelo médico italiano Giovanni Aldini (1762-1834) e...

...também aos rituais pagãos das ilhas Hébridas de culto ao deus-sol Nuada, retratados tão bem no filme cult da década de 70, The Wicker Man (porém, ao invés do homem-boi, há lá o hobbyhorse, ver imagem acima). O espetáculo remove da cultura popular o ranço do folklore e promove um anti-folklore, com uma roupagem que teria assaz agradado à Oiticica.

* O texto à parte, mais apurado, está aqui.

2.2.07

Normal Map

Mapa mundial de desenvolvedores de games. Basta clicar nas cidades para abrir uma lista de empresas com links. Até que o Brasil está bem representado.

31.1.07

Tudo Morre

Interessante o tópico levantado por Jon Udell sobre a permanência de conteúdos na blogosfera. A cada dia, despejamos toneladas e toneladas de informações, contra-informações e bricabraques conceituais em nossos diários eletrônicos. Qual será o futuro deste material? Por enquanto, apenas acadêmicos e bibliotecários estão se mobilizando para resolver o problema. O resto, pouco se dá. Aqui, há um paralelo com as artes visuais. Vejamos, se o artífice cria objetos vivos chamados artefatos, o artista contemporâneo cria relíquias, ou seja, objetos que carregam em si o cunho da "permanência". No segundo caso, as relíquias criadas por tais artistas adquirem um caráter quase religioso, semelhante às lascas da cruz do Cristo ou pedaços de ossos de santos. A permanência, neste caso, não seria um fator positivo. Os artefatos, por outro lado, estão em constante mutação ao longo do tempo, recebendo novas tinturas e tessituras. No caso dos blogs, nem a permanência é garantida. Em termos técnicos, o ideal seria criar um sistema de back-up de links, ao estilo do Internet Archive. Mas isso é custoso. Muito custoso. Talvez seja melhor nos renderemos a realidade crua e lermos com entusiasmo momentâneo nossos pequenos ensaios em forma de hot news, sempre com a certeza de que, brevemente, se perderão nas brumas do tempo.

26.1.07

Adivinhe Quem Veio Para Jantar?

O LACDA (Los Angeles Center for Digital Art) apresenta a primeira exposição estrangeira do artista brasileiro Lúcio Carvalho. São 12 obras trabalhadas digitalmente de forma exaustiva, nas quais mostram aspectos da infância do artista na mesa de jantar.

23.1.07

Arquitetura da Destruição

O grande tópico do momento é Second Life, o novo universo virtual massivo. Uma mistura de exatidão e indefinição, já que dentro dele podemos ser e construir o que der na telha, conduzir coisas e objetos a trouxe-mouxe e insuflar os ares com ondas de criatividade! Mas há uma questão pendente: por que a arquitetura deste mundo é tão, digamos, convencional? Note que as moradias da imagem acima lembram as casinhas de New Jersey que tanto repugnaram Evelyn Waugh. Por que ninguém realiza os sonhos mais loucos de Frank Gehry e Koolhaas? Até que alguém responda a essa pergunta, continuaremos montando nosso bivaque no First Life mesmo.

18.1.07

Recicle!


O Felipe Fonseca, que se orgulha de ser um metarecicleiro, avisa que está acontecendo no Sesc o LAMIME (Laboratório de Mídias Metarecicladas). É sempre bom acompanhar o trabalho dos metarecicleiros, pois são eles os transformadores das novas sucatas tecnológicas que começam a assombrar a humanidade. Várias oficinas - inclusive relacionadas à pesquisa de música computacional eletrônica calcada em softwares livres - compõem o cardápio do evento.

9.1.07

Iraque Profundo

O novo projeto de Michael Rakowitz, "The Invisible Enemy Should not Exist", pretende reconstruir alguns artefatos arqueológicos saqueados do Museu Nacional do Iraque durante a invasão dos militares norte-americanos em 2003.

O título da exposição, que abre dia 12 no Lombard-Freid Projects em Nova York - é uma tradução de Aj-ibur-shapu, a antiga rua babilônica usada como via de procissão para o templo de Ishtar, parte do qual pode ser visto atualmente no Museu do Pérgamo, em Berlim. Os objetos foram confeccionados segundo pesquisas feitas no banco de dados de culturas orientais da Universidade de Chicago (estima-se que hoje há cerca de 7.000 objetos desaparecidos). Rakowitz mais uma vez presta um tributo aos seus antepassados iraquianos.